ESPAÇO DA COMISSÃO CRCPR ENSINO PARA DIVULGAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS PUBLICADOS EM PERIÓDICOS DO SEGMENTO
"Com a crescente visibilidade de casos de fraudes contábeis e demandas por maior responsabilidade ética no ambiente corporativo, um estudo publicado na Revista de Contabilidade e Controladoria lança luz sobre a formação ética dos futuros profissionais da contabilidade. A pesquisa, conduzida por Ana Catarina da Cunha Maia, Sérgio Luiz Pedrosa Silva, Wênyka Preston Leite Batista da Costa e Jandeson Dantas da Silva, todos vinculados à Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), analisa a percepção de estudantes de Ciências Contábeis sobre responsabilidade civil e penal, práticas antiéticas e os fatores que influenciam suas decisões profissionais.
A pesquisa coletou dados de 177 estudantes da UERN, com idades entre 18 e 41 anos, matriculados do primeiro ao décimo período. O levantamento revelou que, embora 85% dos respondentes tenham cursado a disciplina de Ética em Contabilidade, apenas uma parcela significativa demonstrou pleno conhecimento do Código de Ética Profissional do Contador (NBC PG 01). Isso aponta para uma lacuna na assimilação prática dos conteúdos éticos, que vão além da teoria e precisam estar integrados ao cotidiano acadêmico e profissional.
Os resultados da análise fatorial exploratória identificaram quatro grupos de fatores que influenciam diretamente a formação ética dos futuros contadores. O primeiro deles relaciona-se ao conhecimento efetivo do Código de Ética e das penalidades legais envolvidas, incluindo a responsabilidade solidária e penal do contador em situações de fraude ou má conduta. O segundo fator trata das condutas que minimizam a fraude, como o fortalecimento de controles internos, a segregação de funções e a valorização da cultura ética nas organizações. Tais elementos são vistos como essenciais para prevenir irregularidades e promover práticas contábeis confiáveis.
Outro achado relevante diz respeito à percepção dos estudantes sobre a formação técnica. Embora o domínio de normas e procedimentos seja considerado importante, os participantes reconhecem que apenas o conhecimento técnico não garante condutas éticas. Habilidades como pensamento crítico, capacidade de julgamento e consciência moral são vistas como complementares na atuação do contador. A vivência prática, por meio de simulações, estudos de caso e estágios supervisionados, é apontada como um caminho necessário para consolidar a formação ética.
Por fim, o ambiente organizacional também foi identificado como um fator de peso. Os estudantes compreendem que empresas com políticas claras de integridade, mecanismos de denúncia e uma cultura de conformidade tendem a desencorajar comportamentos antiéticos. Por outro lado, ambientes permissivos podem favorecer a ocorrência de fraudes e manipulações, mesmo entre profissionais tecnicamente competentes.
A pesquisa reforça a importância de uma abordagem mais integrada na educação contábil, que articule conhecimentos técnicos, normas éticas e compreensão crítica do contexto organizacional. Ao ouvir diretamente os estudantes, o estudo oferece subsídios valiosos para o aprimoramento curricular dos cursos de Ciências Contábeis, além de indicar caminhos para fortalecer a profissão por meio da ética e da responsabilidade."
Conheça o estudo na íntegra
O artigo completo está disponível na Revista de Contabilidade e Controladoria através do link:
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